Porque tem os melhores jogadores que, somados, fazem o melhor coletivo da América Latina. Por incrível que pareça, um dos sintomas do entrosamento que faz parecer fácil o jogo que o Flamengo pratica está fora do campo. Os jogadores, efetivamente, se divertem estando juntos. Diego acaba de fazer uma festa de aniversário à fantasia, foi todo mundo vestido de personagens divertidos como divertido é, hoje em dia, jogar no Flamengo.
Imbatível, não é. O Liverpool, recém eliminado da Liga dos Campeões onde a taça neste momento é sua, ganhou do Flamengo. Na prorrogação, é verdade, e sujeito a levar o empate até o último lance, basta lembrar a chance desperdiçada por Lincoln. No Brasil e na América Latina, só um jogo fora da curva do próprio Flamengo somado a uma atuação antológica do adversário pode eliminá-lo antes da final e, na decisão, evitar o bicampeonato dos cariocas.
O Flamengo passeia porque é bem treinado, o que significa que os jogadores compraram prazerosamente as ideias de Jorge Jesus. Afora a nuvem de sempre no céu azul do Flamengo, a maneira insensível e insensata com que a direção do clube lida com as indenizações às famílias dos meninos mortos no Ninho do Urubu, a outra nuvem que pode nublar o azul do céu e torná-lo tempestade é a eventual saída de Jorge Jesus em maio. Mesmo que viesse o melhor treinador do mundo, escolha o seu, o certo é que o estágio avançado de futebol contemporâneo jogado pelo Flamengo hoje tem organização tática, sim, mas também uma enorme empatia entre elenco e treinador. Eles se gostam, um confia no outro.
O Flamengo não desiste do gol nem no 3x0, como aconteceu na noite de quarta-feira contra o Barcelona do Equador. Os jogadores deixaram a vaidade no armarinho, gostam de servir o outro para o gol, se abraçam animadamente quando um ou outro marca e corre para a torcida. Todos marcam sem a bola, todos atacam com ela. Quem tem mais aptidão para jogar com a bola, marca menos, não muito menos. Quem tem mais dificuldade com a bola – e neste Flamengo não existe este jogador entre os titulares hoje em dia – marca mais do que joga, não muito menos.
Thiago Maia é reforço de qualidade de passe e marcação em relação a Willian Arão, mas entra menos na outra área do que o antigo titular. Michael é ótima alternativa porque trouxe para o Flamengo o repertório da vitória pessoal. Já fez e participou de alguns gols deste jeito. Acima de todos, embora Gabigol e Bruno Henrique chamem mais a atenção porque põem a bola na rede, Everton Ribeiro paira sobre os demais porque faz todos os demais jogarem. Sua convocação é justa para a Seleção e mais justo ainda será se estiver no time titular quando vierem as Eliminatórias assim que arrefecer o coronavírus.


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