A Câmara Municipal de Pacujá, já abalada por graves fatos recentes, agora parece ter perdido qualquer pudor. Desde a última sessão, tramita naquela Casa um Projeto de Decreto Legislativo que pretende extinguir a convocação programada dos secretários municipais nas sessões do Parlamento, eliminando uma importante medida de transparência pública.
Desde 2017, a Câmara adotou uma norma que convoca anualmente os secretários, com o intuito de que eles apresentem para o público as ações, os planos e os desafios de cada secretaria. Nessas oportunidades, os gestores mostram os principais trabalhos desenvolvidos nas suas unidades e podem ser questionados pelos vereadores.
O projeto que deseja eliminar essa norma é encabeçado pelo presidente Braz Rodrigues, que convocou uma sessão extraordinária para este sábado, dia 20 de agosto, às 10 horas, com a finalidade de votar a matéria. Caso ela seja aprovada, o secretário de educação, cuja ida à Câmara está prevista para a sessão do dia 25 de agosto, já será dispensado da convocação.
A matéria foi protocolada no dia 09 de agosto e sequer tem uma justificativa escrita. A falha contraria o Regimento Interno da Câmara e, por isso, o projeto não deveria nem tramitar. Segundo informações de bastidores, um dos motivos para eliminar as convocações é que a apresentação dos secretários alonga a duração das sessões, o que causa irritação em alguns vereadores. A outra possível motivação é poupar os atuais secretários de se exporem ao público.
Nesses tempos em que a transparência é tão necessária para o poder público, causa surpresa que esse tipo de projeto esteja sendo proposto. A sociedade pacujaense, já tão afetada pela política do município ser motivo de chacota, espera que os vereadores ponham a mão na consciência e barrem essa nova aberração.


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