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A Armadilha do Orgulho


 

A Armadilha do Orgulho

João 7:24 diz: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça".

Certa vez adentrou em um estabelecimento uma pessoa com roupas sujas e perguntou o preço de algo. Imediatamente o vendedor, com voz ríspida, disse: "Aqui não temos lugar para mendigos." A pessoa riu e respondeu: "Senhor, eu não sou mendigo, só estou vindo do trabalho." Comprou o que veio buscar e deixou a todos perplexos.

Tal ilustração real já ocorreu dezenas de vezes e mostra o lado sombrio do ser humano. Muitas vezes julgamos as pessoas por motivos triviais, tais como a cor da pele, a raça, os bens, a religião ou o partido político.

Surge agora uma pergunta que merece uma análise cuidadosa: por que nós, seres humanos, temos a tendência nata de julgar uns aos outros?

A resposta não é algo fácil, haja vista que no mundo existem milhares de opiniões sobre o tema, artigos e teses acadêmicas, além de opiniões religiosas fundamentadas, segundo seus autores, na Bíblia.

Vejamos alguns exemplos práticos: diz-se que uma determinada raça é superior a outra, que uma determinada religião é superior a outra, que uma determinada cidade é melhor do que a outra. Tais ideias vão aos poucos sendo incorporadas à cultura da pessoa e formando sua opinião preconcebida. Quem diria que o homem do início da história era um mendigo? Ou que, por ser negro, alguém seria inferior a quem é branco? Ou que, por ser pobre, alguém seria inferior a quem é rico?

Um famoso intelectual e político brasileiro, já falecido, foi indagado em determinado momento sobre a superioridade de um ser humano sobre o outro. Eis as palavras do Dr. Enéas Carneiro, parafraseadas: "A única diferença real entre os seres humanos está na quantidade de informação e de conhecimento que cada um consegue absorver e desenvolver ao longo da vida." Ele afirmava que não existe superioridade natural entre as pessoas, usando o famoso exemplo de que a diferença entre um astrofísico e alguém que limpa o chão é apenas o acesso ao estudo e à informação, e não o valor humano.

Suas palavras deveriam, de fato, tornar-se um lema em nossas vidas, para que nunca venhamos a cair na armadilha de nos acharmos melhores do que ninguém.

Caso contrário, o orgulho e a soberba nos farão parecer superiores aos outros. E isso nos tornará seres humanos rejeitados por Aquele que nos deu a vida. Prova disso é o que o apóstolo Tiago escreveu, sob inspiração divina, em Tiago 4:6: "Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes."

Que continuemos, portanto, buscando revestir-nos de uma personalidade humilde e evitando julgamentos precipitados. Se assim o fizermos, sem dúvida estaremos mais próximos de imitar o nosso mestre Jesus Cristo.


Por: Manoel Roriz Paiva 

Membro da Academia Groairense de Letras - AGL

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